Por esses dias tenho relido atentamente a reforma protestante e seus princípios tendenciosos no início da chamada idade moderna. Analisemos as consequências históricas com atenção e honestidade: 1ª fase: Deus sim, Igreja não; 2ª fase: Deus sim, Cristo não; 3ª fase: Deus não, o homem sim; 4ª fase: o homem não (para quem deseja aprofundar-se leia o artigo anterior).
Ao voltar a atenção para os acontecimentos da reforma protestante na Inglaterra de Henrique VIII nos deparamos com as figuras de Thomas More e o Bispo Fisher, hoje santos e mártires sob a reforma. Os dois – não sem a companhia da própria Catarina de Aragão e outras pessoas – se opuseram ao dito Ato de Supremacia, que elevava o rei acima do direito divino e da Igreja de Roma. Ambos pereceram o martírio pelo fato de não fazerem um juramento que contradizia suas consciências diante de Deus e de si mesmos. Não abriram mãos destes valores. A primazia de Deus e, consequentemente, da própria consciência diante daqueles fatos históricos dramáticos.
Hoje vemos a nossa volta um verdadeiro atentado contra valores primordiais como a vida e a família e tudo mais que procede destes mesmos. A fé e a religiosidade são pisoteadas com frequência na grande mídia. Há inclusive dentro da própria Igreja quem siga tal tendência e sorrateiramente – ou por uma inteligência afetada – acabe por contribuir na corrosão das pilastras chamadas Verdades Eternas – em outras palavras, tudo aquilo que está na Bíblia e na Tradição da Igreja.
Há pessoas que levantam determinadas bandeiras em nome de determinadas ideologias e direitos, mas não se dão conta de que se colocam também eles frontalmente contrários a estas Verdades Eternas. Eu me pergunto: O que significa então ser católico nos dias de hoje? Achar tudo muito bonitinho, inclusive o mal que se mascara de bem? Ir contra nossa Mãe a Igreja? Ir contra a Sagrada Escritura? Ir contra a própria consciência iluminada pela fé? Há pessoas que fazem isso e acabam não se dando conta. Há, pior ainda, pessoas que fazem isso com muita clareza do que estão fazendo – como no caso, voltando à reforma anglicana, dos Thomas Cromwel e Thomas Cranmer. É isto que a nova ordem mundial está arquitetando e trabalhando incansavelmente: para que, nós católicos, neguemos a fé, para que nos voltemos contra a própria natureza humana, contra os valores eternos e contra a própria consciência.
J. Ratzinger, bendito Papa Emérito Bento XVI, já em 1969, prevera estes tempos difíceis que já estamos vivendo. De um lado lança uma dura constatação: a apostasia de muitos católicos – apostatar que dizer renegar a própria fé. Mas por outro lado uma palavra de esperança: “Da crise hodierna emergirá uma Igreja que terá perdido muito. Será reduzida e terá de repartir mais ou menos dos inícios. Não será mais em grau de habitar os edifícios que construíra nos tempos de prosperidade. Com a diminuição dos fiéis, perderá também, em grande parte, privilégios sociais. Recomeçará dos pequenos grupos, de movimentos e de uma minoria que recolocará a fé ao centro da experiência. Será uma Igreja mais espiritual, que não reivindicará um mandato político flertando ora com a esquerda ora com a direita. Será pobre e transformada na Igreja dos indigentes. Então verão aquele pequeno rebanho de crentes como algo totalmente novo: o descobrirão como uma esperança para si mesmos, a resposta que sempre procuraram em segredo” (Ratzinger, 1969).
Enquanto isso muitos abandonarão a própria herança de fé, pensando estar fazendo um bem para si mesmos e para o mundo a sua volta. E de outro lado, os que permanecerão fiéis serão ridicularizados, estigmatizados, perseguidos e chamados a dar testemunho, quem sabe até com a própria vida, por causa de Cristo e do Evangelho.
Queridos estamos em tempos que não dá para brincar. É tempo em que se produzem duas categorias de católicos: os que renegam a própria fé e os que a abraçam ainda mais. Deus nos dê a graça de permanecermos de pé nestes tempos e, sobretudo, no dia do Juízo, quando todos vamos comparecer diante de Nosso Senhor.